Recentemente circulou pela mídia e consta no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=uwh3_tE_VG4), o vídeo do jornalista da RBS Santa Catarina, filial da Rede Globo, Sr. Luiz Carlos Prates, que faz comentário preconceituoso, responsabilizando os “pobres” e “miseráveis” pelo tráfego intenso e parte dos acidentes nas estradas do Brasil.
Segundo esse jornalista, o aumento do tráfego e também a causa dos acidentes, em parte, se deve ao fato de o governo populista atual, ter facilitado a obtenção de veículos para os pobres, a quem ele chama de “miseráveis”.
Um comentário tão preconceituoso e pejorativo não poderia ter outra fonte, senão a elite que está cada vez mais incomodada com a ascensão dos menos providos de recursos.
Antes, não tão antes assim, fazer faculdade, gerir grandes empresas, torna-se juiz, promotor, advogado, médico, entre tantas outras profissões, era privilégio de alguns poucos “bem nascidos”, ficando a grande maioria a mercê de ser serviçais desta pequena minoria.
Hoje, a situação, apesar de ainda muito desigual, melhorou bastante, pois já verificamos pessoas de origem “humilde” se destacando no “mundo” antes pertencente à elite dominante.
Mas algo que realmente me chamou a atenção foi uma pessoa que disse conhecer a pobreza apoiar o pensamento deste elitiano. Além de estranho, é preocupante, pois se os que conhecem a miséria, após melhoramento, esquecem a origem e não pensam na progressão dos antes iguais, como esperar que a elite se comporte de forma diferente ou tenha uma posição diversa da do Sr. Luiz Carlos Prates?
Esse pensamento elitiano nos leva a outro questionamento, inclusive suscitado por um nobre colega: se a elite não tolera a ascensão da pobreza, como tolerará penas alternativas para os “miseráveis”? Como aceitar que qualquer crime praticado por esses “desgraçados” não seja punido com cadeia, prisão, cerceamento da liberdade? Cercear a liberdade dos pobres é única forma de não vê-los progredindo na sociedade.
Por fim, vale salientar que a perspectiva de ascensão é o que move qualquer ser humano e se nos remetermos ao pensamento da elite, de que o caos atual no trânsito e na segurança pública se dá em razão da ascensão dos antes miseráveis, estaremos fadados a eternizar o que sempre deu errado. Não acredito que o melhor caminho é remeter as pessoas ao estado de pobreza, mas sim investir de forma coerente e sem a CORRUPÇÃO (essa sim responsável por todo mal desse país) que sempre privilegia a elite, causando o aumento da criminalidade.
Gilson Ferreira da Silva
Advogado - DF
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